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Moody’s reafirma nota do Brasil em “Ba2” e mantém perspectiva estável

A agência de classificação de risco Moody’s Investors Service reafirmou nesta terça-feira (12) a nota de crédito soberano de longo prazo em moeda estrangeira do Brasil em “Ba2”, mantendo também a perspectiva estável.

Segundo a agência, os principais fatores para a confirmação do rating são mudanças estruturais nas políticas fiscal e monetária que apoiarão o desempenho econômico e a consolidação fiscal nos próximos anos; melhora do desempenho fiscal, que mitiga o impacto do aumento das taxas de juros na dinâmica da dívida; e forte posição externa e reservas em moeda estrangeira, que dão suporte ao perfil de crédito do Brasil.

“A perspectiva estável reflete as expectativas da Moody’s de que as reformas nos arcabouços fiscal e de política monetária realizadas recentemente são estruturais por natureza e serão em grande parte preservadas, contra o risco de derrapagem fiscal e o impacto do fraco crescimento sobre a consolidação fiscal”, disse a agência em comunicado, citando medidas como a aprovação da autonomia do Banco Central e da PEC Emergencial, que flexibiliza despesas obrigatórias em caso de crise fiscal.

O Brasil segue na faixa associada a “grau especulativo” pelas três principais agências de classificação de risco, já que Fitch Ratings e S&P ambas atribuem ao Brasil nota “BB-” – três degraus abaixo do mínimo para ser considerado grau de investimento (“BBB-“). O rating da Moody’s deixa o país dois níveis abaixo.

Apesar de uma “forte recuperação” econômica da pandemia, a Moody’s espera que o crescimento sofra uma desaceleração considerável em 2022 devido ao aperto das condições financeiras e ao enfraquecimento do consumo, uma vez que a inflação elevada mina o poder de compra.

“No entanto, há um potencial de alta para o desempenho do crescimento no médio prazo tendo em vista a forte recuperação do investimento privado em 2021 e novos compromissos de investimentos em projetos de infraestrutura nos próximos anos”, disse a Moody’s.

Do lado fiscal, a agência prevê que os juros pagos pelo governo primeiro aumentem em 2022, para quase 23% das receitas, e depois diminuam para menos de 20%, à medida que a política monetária se ajustar para um posicionamento mais neutro no fim de 2023. A melhora dos resultados fiscais no ano passado criou um espaço fiscal para acomodar a alta prevista nos pagamentos de juros sem um aumento grande dos níveis da dívida, completou a agência.

Choques cambiais

A Moody’s entende que a vulnerabilidade externa do Brasil é limitada e que essa é uma característica de longo prazo que apoia o perfil do crédito soberano, com o investimento estrangeiro direto robusto e o investimento direto líquido devendo superar o atual déficit em conta corrente em 2022.

“De um modo geral, a vulnerabilidade externa do Brasil é muito baixa devido à forte posição das suas reservas em moeda estrangeira, que fornece cobertura de liquidez suficiente para administrar choques financeiros externos.”

De acordo com a Moody’s, a dívida denominada em moeda estrangeira representa menos de 5% da dívida do governo federal, o que deixaria o balanço do governo “resiliente a choques cambiais” e com exposição “limitada” a um aperto da liquidez internacional.

“Os fortes colchões em moeda estrangeira do Brasil e sua posição como exportador de commodities são particularmente importantes como fatores de suporte de crédito no atual cenário de aperto da liquidez global e elevada aversão ao risco relacionados ao conflito militar Rússia-Ucrânia”, disse a agência em comunicado.