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Minerva cai 7% após balanço do 1º tri: o que não agradou?

As ações da Minerva Foods (BEEF3), maior exportadora de carne bovina da América do Sul, encerraram o pregão desta quinta-feira (12) em queda de 7,54%, negociada a R$ 12,26, no topo das baixas do Ibovespa, após a divulgação dos resultados do primeiro trimestre de 2022.

Embora a companhia tenha registrado o melhor resultado operacional de sua história para um primeiro trimestre, o que pesou negativamente no balanço da companhia foi o lucro líquido de R$ 114,6 milhões, que caiu 55,8% ante o mesmo período de 2021.

O número veio abaixo do previsto pelo mercado em razão de perdas de hedge cambial – ferramenta usada por companhias com atuação no mercado internacional para se proteger das oscilações das moedas.

Dentre as casas que fazem a cobertura da companhia, o Bank of America (BofA), por exemplo, estimava lucro R$ 198 milhões, enquanto a Ativa Investimentos aguardava R$ 405 milhões, e o BTG Pactual calculava R$ 424 milhões. Em contrapartida, outros números como receita e lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação (Ebitda, na sigla em inglês) vieram positivos.

Isabella Simonato, Guilherme Palhares e Fernando Olvera, analistas do BofA, pontuaram que a companhia apresentou resultados mais fortes no período com receita de R$ 7,3 bilhões, 7,7% acima do previsto pela casa, com receitas mais fortes no Brasil, que mais do que compensaram os volumes internacionais mais fracos, principalmente impactados pela Rússia.

No entanto, o trio pontuou o lucro abaixo do previsto “por perdas com derivativos cambiais de R$ 426 milhões, dada a volatilidade cambial durante o trimestre”. Por outro lado, a casa elevou a previsão do Ebitda da companhia para 2022 e 2023 e aumentou o preço-alvo das ações de R$ 13,5 para R$ 14,5, além de reiterar classificação de compra para os papéis.

A equipe de research da Ativa Investimentos, por sua vez, afirmou que a companhia divulgou resultados satisfatórios, levemente acima das estimativas em receita, margem bruta e Ebitda, e que sustentou um desempenho sólido no mercado externo, que representou 70% da receita consolidada.

De negativo, a casa pontuou que o resultado financeiro veio pior do que esperado “com perdas em hedge cambial levando a um lucro líquido abaixo do esperado. Além disso, o fraco desempenho da economia nacional prejudicou o resultado das operações de mercado interno, com queda de volumes de 15% no comparativo anual”.

Já os analistas do BTG Pactual pontuaram o lucro abaixo do previsto e elencaram como a principal ressalva a dívida líquida da companhia, que cresceu 6% no comparativo trimestre para R$ 6,5 bilhões.

Entretanto, para a equipe do banco, a Minerva iniciou o ano no caminho certo para conseguir alcançar a estimativa da casa de um Ebitda de R$ 2,7 bilhões em 2022 e que o pagamento de R$ 400 milhões em dividendos “também reforça uma mentalidade mais alinhada com a criação de valor para o acionista”.

Os analistas também demonstraram preocupação com o fato de a desalavancagem da companhia não ter sido forte com base na geração de caixa e moeda estrangeira relatados nos últimos 12 meses, mas ainda enxergam a ação da Minerva “ganhando impulso adicional a medida que o Brasil se aproxima de uma reversão favorável do ciclo do gado até o final do ano”.