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Ibovespa cai, mas tem 3ª semana seguida de alta; dólar vai a R$ 5,39

O principal índice de ações da B3, o Ibovespa, fechou em queda nesta sexta-feira (28), mas registrou a terceira semana seguida de alta. O dólar, por sua vez, voltou a cair e encerrou em queda, no menor patamar em quase quatro meses, com a estabilização dos mercados globais e uma recuperação de Wall Street no fim do dia abrindo caminho para mais demanda por risco e vendas da moeda norte-americana.

No dia, o Ibovespa recuou 0,62%, aos 111.910 pontos. Na semana, o índice subiu 2,72%. Já o dólar caiu 0,60%, comercializado a R$ 5,3900, engatando a terceira semana de perdas.

Cenário interno

Analistas destacam a entrada de fluxo estrangeiro, o avanço das commodities e atração a papéis descontados como alguns dos motivos para a performance positiva recente do índice.

No Brasil, a taxa de desemprego voltou a recuar no trimestre finalizado em novembro, indo a 11,6%, o nível mais baixo desde o início de 2020, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O rendimento real habitual, porém, caiu sobre os três meses imediatamente anteriores e ante o mesmo período de 2020, diante de pressão inflacionária.

Investidores também digeriam dados de crédito divulgados pelo Banco Central, que mostraram avanço no saldo total em dezembro frente a novembro.

Além disso, o Ministério da Economia informou que o governo vai zerar gradualmente a incidência do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) em operações com moeda estrangeira até 2029, com o objetivo de acelerar a adesão do país à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Câmbio

Agentes financeiros seguem debruçados sobre riscos de altas mais intensas de juros nos Estados Unidos, mas, com exceção de um dia ou outro, ativos de mercados emergentes têm mostrado resiliência, especialmente aqueles onde os bancos centrais também estão apertando suas políticas monetárias, caso do Brasil.

O Bacen deve promover um terceiro aumento consecutivo de 150 pontos-base na taxa básica de juros na próxima quarta-feira, levando a taxa a 10,75%, maior patamar em cerca de quatro anos e meio e bem distante da mínima histórica de 2% que vigorou entre agosto de 2020 e março de 2021. A taxa de juros embutida em contratos a termo de real para um ano está em 11,7% ao ano, nas máximas desde 2016.

“O real continuará se beneficiando de um ‘carry’ (retorno) mais alto após um ciclo de elevação de juros mais rápido que a média dos emergentes”, disseram estrategistas do Citi em nota, que mantêm posições relativas favoráveis à moeda brasileira –por exemplo, apostam no real contra o peso colombiano via venda de opções de compra de dólar/real e compra de opções de compra de dólar/peso colombiano.

O real apreciou quase 11% frente ao peso em 2021 e neste ano somava ganhos de 0,4%. Um índice do JPMorgan para divisas emergentes subia também cerca de 0,4% desde o começo do ano, enquanto o índice do dólar contra uma cesta de rivais de países ricos saltava 1,7% no período.

“Dentro dos mercados emergentes vemos espaço para os ‘high yielders’ (mercados com juros mais altos) e algumas moedas de commodities superarem os ‘low yielders’ (com juro baixo) no médio prazo. Dada a incerteza de curto prazo, continuamos posicionados seletivamente”, disseram estrategistas do Barclays, que afirmam expressar posições otimistas no real via opções.

Destaques da B3

As ações preferenciais da petroqúimica Braskem (BRKM5) lideraram as altas do Ibovespa, nesta sexta-feira, com avanço de 7,50%, após a petroleira Petrobras (PETR4) e a empresa de engenharia Novonor (ex-Odebrecht) anunciarem o adiamento da venda de suas participações na companhia.

Por outro lado, os papéis das varejistas Magazine Luiza (MGLU3) , Americanas(AMER3e a empresa de logística ferroviária Rumo (RAIL3) ficaram entre as maiores quedas do indicador, com recuo de 7,06%, 6,15% e 5,40%, respectivamente. Confira os destaques.

Bolsas mundiais

Wall Street

Wall Street avançou nesta sexta-feira, saindo de uma liquidação para um rali, ao fim de mais uma sessão pingue-pongue e na qual encerrou uma semana tumultuada com investidores presos entre balanços mistos, tensões geopolíticas e um banco central norte-americano cada vez mais agressivo.

O índice S&P 500 fechou em alta de 2,43%, a 4.431,85 pontos. O Dow Jones subiu 1,65%, a 34.725,47 pontos. O índice de tecnologia Nasdaq Composite avançou 3,13%, a 13.770,57 pontos.

Europa

O mercado acionário europeu recuou nesta sexta-feira, com o índice STOXX 600 em queda pela quarta-feira semana seguida, com papéis dos setores de automóveis e tecnologia liderando as perdas em meio à perspectiva de juros mais altos e preocupações com a situação na Rússia e Ucrânia.

  • Em LONDRES, o índice Financial Times recuou 1,17%, a 7.466,07 pontos.
  • Em FRANKFURT, o índice DAX caiu 1,32%, a 15.318,95 pontos.
  • Em PARIS, o índice CAC-40 perdeu 0,82%, a 6.965,88 pontos.
  • Em MILÃO, o índice Ftse/Mib teve desvalorização de 1,18%, a 26.565,41 pontos.
  • Em MADRI, o índice Ibex-35 registrou baixa de 1,10%, a 8.609,80 pontos.
  • Em LISBOA, o índice PSI20 desvalorizou-se 0,72%, a 5.521,86 pontos.

Ásia e Pacífico

O mercado acionário da China fechou em mínimas de 16 meses nesta sexta-feira, ampliando as perdas mesmo depois que jornais estatais e mutual funds tentaram acalmar os investidores após forte liquidação na sessão anterior devido a preocupações com um aperto monetário mais rápido nos Estados Unidos.

Os mercados da China ficarão fechados a partir de 31 de janeiro para o feriado de uma semana do Ano Novo Lunar.

  • Em TÓQUIO, o índice Nikkei avançou 2,09%, a 26.717 pontos.
  • Em HONG KONG, o índice HANG SENG caiu 1,08%, a 23.550 pontos.
  • Em XANGAI, o índice SSEC perdeu 0,97%, a 3.361 pontos.
  • O índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em XANGAI e SHENZHEN, retrocedeu 1,21%, a 4.563 pontos.
  • Em SEUL, o índice KOSPI teve valorização de 1,87%, a 2.663 pontos.
  • Em TAIWAN, o índice TAIEX permaneceu fechado.
  • Em CINGAPURA, o índice STRAITS TIMES desvalorizou-se 0,42%, a 3.246 pontos.
  • Em SYDNEY o índice S&P/ASX 200 avançou 2,19%, a 6.988 pontos.

Com informações da Reuters

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